sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tenho as paredes da alma
borradas de tinta.

Se a melodia que toca cá dentro

me desabrochasse dos olhos...

Ou se as palav
ras saltassem
das páginas que trago ao peito...


Ou se ao menos as lágrimas
que me morrem nos lábios

grafassem o sentir...

Nasceria o poema.




segunda-feira, 10 de outubro de 2011


Não devia escrever hoje,
tenho o tédio aqui a olhar para mim
devolvo-lhe um olhar de desdém
como quem diz "a mim, não me apanhas...".

Não devia escrever hoje,

tenho o aborrecimento

a adormecer-me nos dedos.

Não devia escrever hoje,
não me sinto iluminada
e a inspiração não mora aqui.

Não devia escrever hoje,
hoje que é o cansaço
que me veste.


Não devia sentir tédio,

aborrecimento,
falta de luz
ou cansaço.

Devia escrever hoje.

terça-feira, 30 de agosto de 2011


Ando fugida de mim mesma.

Parei nas escadas do meu sentir
e não encontro o degrau
que me faça descer aos abismos
que moram em mim.

Mergulharei as mãos
nos seus ribeiros
e verei as palavras
a pingarem-me dos dedos.

É no poço mais profundo
que sei quem sou.
É da cova mais funda
que toco o céu.



terça-feira, 23 de agosto de 2011


Começa por uma explosão no estômago.
O peito parece assistir a um desastre natural

cujo estrondo invade cada centímetro da alma.

A palpitação obriga a respirar fundo,
encher de ar a sensibilidade que parece voar...


Viagem em corpo imóvel,
mexe-se a mente,
move-se o sangue,
agita-se a essência!


O prazer escorre por dentro
e o deleite mora nos ouvidos

rendidos ao sopro que te beija em fogo.


Assim é, quando te ouço, música!






(Tori Amos)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Cair enferma a cada passo do caminho!
Adoecer com os odores inebriantes
que vestem o ser!
Padecer das moléstias trazidas no vento!
Sofrer com as febres dos sentidos!

E, para sempre, embriagar-me só por respirar vida!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O vento afaga-me o cabelo
e fico a conhecer o mundo.
Falo com os pássaros
que atiram segredos aos ramos.
Uivo na noite que me cobre os pés
e tenho o universo a escorrer-me dos dedos.
A esperança engole-me o ser
e as palavras despem-se
quando a consciência desvia o olhar.

Quero ver como se nunca tivesse pensado.
Quero ver-me como se nunca tivesse sentido.

Dormência, afasta-te.
Estou viva.




segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quando a noite me toca a vontade
percebo que o Inverno persiste
neste manto de pedra
que me veste o sussurro...

O frio aprisionou-me
em círculos abandonados

às ondas que rebentam

na praia nascida para me ver partir!

Perdi as linhas
que me contornam o sorriso.

Já não trago a lua
sossegada nas minhas asas.

Até essas me caíram
com
o pétalas da rosa que me murchou...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mastigo o deserto instalado em mim,
sem a frescura das flores para saborear.

O instinto calou-se,
falha-me o conhecimento
e adormece-me a vontade...

Preciso que o tempo
carregue nas suas asas a tristeza...
Preciso ir buscar à luz do universo
as tintas para pintar o meu olhar...

Foto daqui