sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Querer

E por que não querer sempre mais? Por que não encher o copo? Por que não sair da soleira da porta e correr cada vez mais para metas diferentes? Não, claro que não quero ser esse! Esse que não sonha. Esse que não quer. Esse que não abandona o conforto e a segurança. Esse que não sente o calor percorrer-lhe as veias e não voa em direcção ao horizonte, deixando para trás as brasas da lareira adormecida. Esse que julga que viver é somente respirar. Não! Quero arriscar e experimentar. Quero provar o sol e beber do mar. Quero sentir o silêncio debaixo de água e o som do vento. Quero correr até me cansar e cansar-me de tanto querer. Quero poder escolher. Escolher isto ou aquilo. Este ou aquele. Quero escolher entre o cetim dos lençóis e a seda dos teus lábios. Entre o morno do crepúsculo e o arrepio da tua pele. Quero poder desejar e escolher o que desejo. Quero querer. E quando assim não for, matem-me, pois já não há, no meu peito, batimento que me valha.