
"We knew the girls were really women in disguise, that they understood love, and even death, and that our job was merely to create the noise that seemed to fascinate them."
É o filme debut de Sofia Coppola e depressa se percebe a genialidade desta menina-promessa do mundo do cinema. The Virgin Suicides, baseado no romance homónimo de Jeffrey Eugenides, retrata a história de um grupo de irmãs adolescentes, os seus pais austeros e o encanto que elas provocam num grupo de jovens rapazes. A grande conquista de Sofia foi conseguir tratar a adolescência de forma tão cuidada e sensível, como raramente é visto. Mas o filme é sobretudo sobre a perda da inocência e a falta de experiência, não sexual somente, mas de vida e a incapacidade de compreender e aprender. Faz parte de todas as vidas de adolescentes a passagem por experiências inéditas que podem levar à compreensão e crescimento de cada um, ou por outro lado contribuírem para um afundamento progressivo na confusão e solidão interior. Sofia consegue captar uma atmosfera próxima de um sonho, entrando completamente no campo da memória, lembrando os verões passados, as paixões fugidias, o primeiro amor, onde a nostalgia substitui a realidade. Um filme envolvente que nos chama a atenção para o quão incompreendido se pode ser e o quão aparente consegue ser o mundo exterior, tão soalheiro mas que não espelha a maioria das vezes as sombras do mundo interior. Um filme com pormenores deliciosos (destaco a cena dos telefonemas musicais, mostrando a ligação que sempre existiu e sempre existirá entre a música e os sentimentos), com uma cinematografia notável e emoldurado com uma banda sonora envolvente, compondo deste modo um filme marcante.
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