sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Raiva

Quantas vezes já rezei para que me fosse concedido o dom da santa ignorância…Ter um emprego humilde, chegar, fazer as horinhas que me estão destinadas, regressar a casa para o aconchego do lar, aquecer-me com a manta de retalhos, beber um chá a ferver e ir para a cama feliz, pensando que aquilo é tudo o que o mundo me tem para oferecer. Mas para que tal resultasse tinham de me apagar a memória, de me transformar a mente, porque eu já vi que não é só isso. E é então que tenho raiva ao mundo…porque nos foi dada esta consciência? A consciência mais pesada de todas, a consciência de que só temos direito a uma viagem…uma viagem para percorrer todos os caminhos que nos são oferecidos. É no mínimo injusto, não? Deslumbrarem-nos com diferentes e belos caminhos e obrigarem-nos a escolher apenas um, quando um não nos completa, mas não temos tempo para mais.

Como pode alguém ser feliz com a vidinha que leva? Como pode alguém contentar-se sem olhar para lá da sua janela? Mas também de que serve sermos “iluminados” senão para nos sentirmos frustrados, acorrentados, impotentes?

O mundo, qual Pilatos, lava as mãos, dá-nos sentimento, consciência e pensamento e depois nós que nos desenrasquemos com este conflito de entranhas…

Um comentário:

João Baptista [IFB2A16] disse...

só digo assim: Amen.

e tá dito!