sábado, 24 de novembro de 2007

Frio

Preciso de água fresca que me faça brotar deste silêncio adormecido, que me faça renascer da neblina, que me guie até aos raios da luz quente, que me faça acordar do sono que me sufoca, que me divide em mil pedaços e me espalha no chão como um copo de cristal partido. Sou feita de frio, cujos gritos não são mais que sussurros apagados que não chegam ao ouvido de ninguém…ou chegarão? Estive tempo de mais à janela do comboio a contar as árvores que passavam, a sentir o cheiro da vida a esfumar-se mesmo ali. Estou farta de ser em pedaços, quero ser uma.

2 comentários:

Ana Rita disse...

É incrível como, por momentos vários, nos igualamos a mil pedacinhos... sentimo-nos tão insignificantes.

Não digo esquecidos, mas quando queremos, não lembrados.

Parecemos, sentimos, vemos e agimos de maneira totalmente gélida, quando nos desfazemos em mil pedaços...

Mas afinal, somos involuntariamente envolvidos ou aconchegados no lado frio da vida?

Consegui encontrar-me nestas, tão reais, palavras.

Estranha forma de ser, mas que nos toma, e nos leva o que de melhor tem a vida... viver!

Ana Rita disse...

E digo mais...

Gostei muito do blog. embora hajam dias diferentes, estados de espirito tmb estes alterados pela rotina, e mesmo ja este ter sido lido, dao-nos sempre outro modo de interpretar...

Tão reais palavras!!! :D