sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Mundo

Parar e reflectir. Faz-me mais falta meditar no cantinho da minha alma que qualquer outra coisa. O prazer de passear em mim, re-descobrir os meus caminhos soalheiros e os recantos sombrios. Olho em redor e pasmo: já nem sequer vivemos, corremos. A correria e os murmúrios inconscientes ao ouvido do relógio, na tentativa ingrata de o acalmar, marcam os nossos dias. Longe estão os momentos que conversávamos, animadamente, com os segundos, enquanto deixávamos que o calor do sol nos amolecesse, até sentirmos que nada nos faria mover, um músculo que fosse. Toda a preocupação era gozar bem aquele banco de jardim. Hoje não. Hoje há o tempo. A hora que passa e nos abalroa, quando a seguinte já lá vem sem nos deixar levantar. Não temos tempo para pensar. Não julgamos os nossos actos. Criticamos sem reflectir. Falamos porque o instinto nos impele, não porque pensámos no verdadeiro significado daquilo que dizemos.
A nossa vivência é atacada pela banalidade, convivemos com vinganças próprias de espírito curto e somos acompanhados na rua pela hipocrisia, que nos sorri ironicamente. Já nem os bancos do jardim são simples. Guardam segredos, são dissimulados. Tantas vezes implorei ao tempo uns meros segundos para gritar bem alto: “Parem o mundo, quero sair!”.

2 comentários:

João Baptista [IFB2A16] disse...

Viva os bancos de jardim! e o tempo parado e pasmado na vida!
"Há vida e eternidade no pensamento sobre a efemeridade do agora"... é no momento do tempo em que se pede por favor e com licença para que esta bola azul, povoada por autómatos e inconsequentes, pare de girar, que finalmente atingimos a libertação da mundanidade da escravidão do relógio, e se torna possível recriar a vida à nossa volta segundo o nosso próprio Tempo


E viva também a minha "stora" que é a maior a fazer destas coisas! Ei de cá vir todos os dias: ver, ler e meditar nos textos todos possíveis e disponíveis.

Mommy disse...

A todos nós já apeteceu um dia, (Parar o mundo para saír).
O texto é lindo.
Continua a alegrar os nossos dias
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