
Kubrick desapareceu em 1999, mas deixou atrás de si um legado de inegável qualidade, que contribuirá para que seja lembrado, durante anos, sempre que se pensar em genialidade e bom cinema. Confirmando a sua excelência e a certeza de que teria muito mais para dar, está a sua última obra: Eyes Wide Shut.
Por detrás daquele que parece ser o mais brilhante e perfeito dos casamentos, vive-se um limbo entre a verdade e mentira e escondem-se os mais sombrios segredos. Depois de uma revelação de Alice, Bill desperta da sua perfeita mas adormecida existência e percebe que não só não conhece a mulher com quem vive, mas mais penosamente não se conhece a si. Inicia, por isso, uma viagem ao centro de si, marcada pela obsessão, pela desilusão e por revelações chocantes. Tom Cruise está exímio na interpretação deste homem que se vê de repente perdido e nu, perante a dura realidade, sem a protecção da máscara, que lhe ditava a perfeição. Nicole Kidman assina um dos mais brilhantes monólogos em cinema, revelando o seu interior e todos os seus lugares ocultos. A espiral asfixiante de acontecimentos e revelações é, muitas vezes, envolvida por sufocantes e tensas notas de um piano, da responsabilidade de Györgi Ligetti, conferindo ainda mais profundidade a esta viagem física e mental, com impulsos infantis ou decisões maduras.
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