Se a melodia que toca cá dentro me desabrochasse dos olhos...
Ou se as palavras saltassem das páginas que trago ao peito...
Ou se ao menos as lágrimas que me morrem nos lábios grafassem o sentir...
Nasceria o poema.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Não devia escrever hoje, tenho o tédio aqui a olhar para mim devolvo-lhe um olhar de desdém como quem diz "a mim, não me apanhas...".
Não devia escrever hoje, tenho o aborrecimento a adormecer-me nos dedos.
Não devia escrever hoje, não me sinto iluminada e a inspiração não mora aqui.
Não devia escrever hoje, hoje que é o cansaço que me veste.
Não devia sentir tédio, aborrecimento, falta de luz ou cansaço.
Devia escrever hoje.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Ando fugida de mim mesma.
Parei nas escadas do meu sentir
e não encontro o degrau
que me faça descer aos abismos
que moram em mim.
Mergulharei as mãos
nos seus ribeiros
e verei as palavras
a pingarem-me dos dedos.
É no poço mais profundo
que sei quem sou.
É da cova mais funda
que toco o céu.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Começa por uma explosão no estômago. O peito parece assistir a um desastre natural cujo estrondo invade cada centímetro da alma. A palpitação obriga a respirar fundo,
encher de ar a sensibilidade que parece voar...
Viagem em corpo imóvel,
mexe-se a mente,
move-se o sangue,
agita-se a essência!
O prazer escorre por dentro e o deleite mora nos ouvidos rendidos ao sopro que te beija em fogo.
Assim é, quando te ouço, música!
(Tori Amos)
terça-feira, 14 de junho de 2011
Cair enferma a cada passo do caminho! Adoecer com os odores inebriantes que vestem o ser! Padecer das moléstias trazidas no vento! Sofrer com as febres dos sentidos!
E, para sempre, embriagar-me só por respirar vida!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
O vento afaga-me o cabelo e fico a conhecer o mundo. Falo com os pássaros que atiram segredos aos ramos. Uivo na noite que me cobre os pés e tenho o universo a escorrer-me dos dedos. A esperança engole-me o ser e as palavras despem-se quando a consciência desvia o olhar.
Quero ver como se nunca tivesse pensado. Quero ver-me como se nunca tivesse sentido.
Dormência, afasta-te. Estou viva.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Quando a noite me toca a vontade percebo que o Inverno persiste neste manto de pedra que me veste o sussurro...
O frio aprisionou-me em círculos abandonados às ondas que rebentam na praia nascida para me ver partir!
Perdi as linhas que me contornam o sorriso. Já não trago a lua sossegada nas minhas asas.
Até essas me caíram como pétalas da rosa que me murchou...
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Mastigo o deserto instalado em mim, sem a frescura das flores para saborear.
O instinto calou-se, falha-me o conhecimento e adormece-me a vontade...
Preciso que o tempo carregue nas suas asas a tristeza... Preciso ir buscar à luz do universo as tintas para pintar o meu olhar...